V.H.S. Copyleft

março 31, 2009 | Filed Under Blog |

Copyleft, sair da caverna

A terceira atividade do Acervo Mariposa foi o V.H.S. Copyleft SP, realizado nos dias 26 e 27 de Março, no O Lugar, com início às 17h30.

Quinta-feira dia 26, houve uma conversa com a Nirvana Marinho, sobre Copyleft e autoria em dança. Foi apresentado um duro 1o capítulo de toda história, ou seja, quais são os problemas fundamentais em autoria que, em dança, persistem em nos atropelar. Autoria como posse ou propriedade? Como origem ou noção de autenticidade restritiva? Autoria como reserva de mercado – qual mercado mesmo? Autoria como medo de estar no mundo. Falamos do mito de morte, o que poderia justificar, minimamente, nossa noção de que algo de nós vai ficar, mesmo que passemos dessa para melhor. Uma conversa mais do que palestra onde começamos falamos daqueles que foram convidados para realizar essa fala, mas não puderam estar. Um assunto difícil de enfrentar?

Exibição do vídeo info.doc: reunião de depoimentos sobre copyleft em dança. Atualmente, conta com a colaboração de Armando Menicacci e Ivani Santana. Convidados muitos, mas ainda não puderam enviar seus pequenos vídeos (webcam). Quer participar? Entre em contato conosco: contato@acervomariposa.com.br.

Na sexta-feira dia 27, a conversa foi com Eros Valério e Antônio Cabral. O artista paulista + o advogado carioca do Creative Commons Brasil, sendo Antônio no skype, ao vivo conosco.

Antônio inicia nos elucidando acerca da origem da idéia de Copyleft, que surgiu por conta da inovadora idéia de criar o software livre, com o intuito de manter o código de fonte do software aberto.

Em seguida esse conceito de flexibilização do direito foi transportado para arte. Antônio explica também que há um acordo internacional (TRIPS) que rege e define os prazos mínimos de proteção no mundo, ou seja, o controle de leis é mundial e quem quer ser membro da OMC é obrigado a aceitar o TRIPS.

Uma boa dúvida que Antônio esclareceu é sobre a relação entre Copyleft e Copyrigth, há complemento ou dicotomia entre ambas? Ele explica dizendo para pensarmos em dois pólos, um de proteção total e todos os direitos reservados e outro pólo de ilegalidade e pirataria. O Copyleft é exatamente o que equilibra esses extremos, possibilitando a flexibilização dos direitos autorais e o Creative Commons dá o suporte legal para isso.

Antônio diz que artistas que abrem seu conteúdo aumentam seu público e lucro também. Exemplifica isso com o caso do disco que a banda Radio Head disponibilizou na internet, dizendo “pague o quanto quiser”, venderam bastante e 40% do publico pagava em média U$ 10,00 para o download e quando a banda lança o álbum em CD, bateram record de vendas.

Afinal “a arte não é geladeira, existe uma relação afetiva entre o público e o artista”.

Palavras chaves são: Tecnologia, mercado e novos nichos?! Para Antônio, a dança precisa sair da caverna e se popularizar, um bom caminho de difusão e obtenção de novos públicos pode ser o próprio vídeo – a exemplo do que faz o Acervo Mariposa. A dança contemporânea, diz Antônio, tem o desafio de ampliar seu leque de público, isso acontecerá quando a dança encontrar novos nichos.

Com relação ao vídeo e sua difusão Antônio percebe que os criadores em dança ainda tem um pouco de medo de serem “roubados” de que outras pessoas lucrem com seu trabalho, que ele pensa ser um medo simplista e não refletido, no sentido de que a lei impede que roubem o trabalho alheio e se lucre com isso.

Em seguida, Eros Valério inicia sua fala colocando a questão da disparidade entre discurso e prática algumas vezes existente na dança contemporânea.
O discurso, por vezes transgressor e, a prática, totalitária. Isso não se restringe a criadores, diretores, intérpretes, mas, abrange também pensadores e teóricos.

Eros coloca a questão de descrição das fichas técnicas que ainda carregam uma subliminar hierarquia, sobretudo, em relação aos leigos que podem pensar no diretor como o mais importante ou quem “cria” a obra, mesmo num processo coletivo de criação.


Bruna Antonelli, gestora cultural do Acervo Mariposa, comenta o quanto no fim das contas essas “situações” de intérprete-criador, diretor, criador, não estão bem definidas, nem mesmo na universidade, onde não se exercita, totalmente, o processo criativo dos formandos.

Eros questiona o como será que as pessoas pensam ser a criação em dança contemporânea? Será que reduzem ao aprendizado de coreografias de danças as quais estejam mais habituadas?

Depois dessa conversa assistimos ao videodança “meio termo” de Juliana Santos e Rita Tatiana Cavassana, estagiária e produtora do Acervo Mariposa, respectivamente.

Essa foi a Edição do V.H.S. Copyleft SP, comente! Tire suas dúvidas sobre Copyleft e Creative Commons.

E não perca nossa próxima edição de V.H.S Rosa dos Ventos, no Tuca, dias 01, 02 e 03 de Abril.

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