coisaPÚBLICA

30 de novembro de 2009

Sobre o lançamento do blog do projeto Imanências - contrantraste de uma realidade externa.

Arquivado em: Blog, Diário de Bordo — admin @ 14:15

Olá leitores,

O lançamento do blog do projeto Imanências - contraste de uma realidade externa (projeto solo de Isabela Santana) aconteceu no dia 19 de novembro, quinta-feira, na sala Crisantempo. O Acervo estava por lá com videos de Mariana Muniz, Breno César, Wagner Schwartz e Talma Salém e com um laptop disponível para consulta do blog, da nossa página wiki. Dança e Acervo e site.

O evento começou por volta das nove horas com uma apresentação do processo criativo da artista. A performance e instalação multimídia teve a trilha composta com ruídos do público, captados momentos antes do teatro se abrir. Havia também uma televisão onde passavam imagens captadas na hora. Videos foram projetados.

No hall da sala Crisantempo foi projetado o blog da artista http://projetoimanencias.wordpress.com/ que está muito interessante, com informações sobre seus estudos, pontos de partidas e descobertas.

Logo depois da apresentação, houve um coquetel animado com coisas para beliscar e espumante para beber… O público estava bastante animado.

Foi isso!

Até!

25 de novembro de 2009

Videodança: (meu) (recorte da realidade)

Arquivado em: Artigos — admin @ 17:24

‘’…. o vídeo ou a fotografia … são um recorte da realidade. Você tem todo este universo e está escolhendo pegar isso ai, você tem que tomar uma decisão.  Por alguma razão você está pegando isso aqui e não isso. Eu acho muito interessante…você tem que fazer este recorte desta realidade; tem a ver com o que você acha deste mundo. De alguma forma, você dialoga com o mundo que você vive. O que eu gosto muito da videodanca é a relação com o corpo, e não há nada mais arcano da pessoa que o corpo…’’

Tamara Cubas, São Paulo, novembro de 2008.

 

Escolher é um ato político! Logo, ao conceber uma obra, de comédia comercial à uma videodança, você está se posicionando politicamente. À margem ou ao centro, qual é o enquadramento da videodanca? Seu enquadramento certamente é a margem, a linguagem tem parceiros com muitos interesses políticos como blog’s, sites de relacionamento, Vimeo e o Youtube; neste último site, encontra-se todo o tipo de informação vídeográfica. Percebemos na verdade que a linguagem não está muito interessada em parcerias políticas definidas, já que é uma linguagem de miscigenação, que tem que sobreviver fazendo alianças com muitos partidos.

O vídeo é uma ferramenta muito utilizada na América Latina tendo em vista seu baixo custo e fácil acesso, o que faz refletir se a linguagem, ela própria, não se encaminha para uma escolha política. Diferente do cinema que exige uma demanda maior de tempo, de produção e muito mais dinheiro. Contudo, não se pode negar a influência do cinema na videodança, principalmente nas produções da Argentina e Uruguai, onde existe forte tradição no cinema.  As composições feitas para a videodança nestes países têm estudos cinematográficos mais apurados.[1]

No Brasil, esta produção apóia-se muito mais no discurso dos videoartistas. O início da videoarte no Brasil (1974) veio, em sua grande maioria, de artistas plásticos que buscavam inovar seus trabalhos buscando materiais mais dinâmicos e novos suportes para sua produção, rompendo assim com esquemas estéticos mercadológicos. [2] Este caráter experimental e questionador se utilizou do corpo como o principal meio de pesquisa. Como exemplo, o vídeo de Letícia Parente, “Made in Brasil’’ (1974), aonde a artista borda escritas na sola de seu pé, fazendo-o assim um quadro. Ou em ‘’M3X3’’ (1973), de Analivia Cordeiro, bailarina, que faz uma experiência coreográfica para o vídeo ligando a dança às artes plásticas na pesquisa da relação do corpo com o espaço, concretizando formas e desenhos.

Diferente de algumas das videodanças ou cine-danças americanos e europeus, onde o corpo é apolíneo e a atmosfera proposta é onírica, na América Latina, o vídeo tem um caráter provocativo e político. [3]

Não há nada mais autêntico que o corpo, nele é que encontramos os conflitos não só psicológicos, mas sócio-políticos e étnicos.  Se ele é a questão que a videodança pode perseguir, torna-se visível qual corpo está em questão. Podemos apontar o corpo latino como um caldeirão em ebulição de informações genéticas, devido à miscigenação e colonização política e ditaduras do último século. Os corpos estão mergulhados em estado de urgência, nas metrópoles em crescimento e no caos desenfreado, em paisagens áridas ou em ambientes íntimos, o corpo fragmentado formado a partir da edição.

E hoje? Pensando e focando esta idéia (de propulsões para a criação de vídeos) para a videodança, atualmente, podemos perceber que o enfoque está na experimentação corporal mais do que um pensamento político questionador com ideais de mudança. [ver anexo 1: mapeamento de produções de videodanças no território brasileiro]. Independente do que está sendo tratado no vídeo, outra questão, é onde estão sendo vinculadas estas produções. E aí está outro ponto: onde eu opto por compartilhar meu trabalho? E então, para qual tipo de público e em quais proporções?

Copyleft: ferramenta para difusão e escolha política

            Creative Commons é uma ferramenta internacional de gerenciamento de direitos autorais em um novo sistema de Copyleft, termo que se contrapõe ao Copyright, aonde todos os direitos são reservados. Neste novo gerenciamento, é defendida a idéia de alguns direitos reservados, aonde o autor da obra escolhe os símbolos de liberação de seu trabalho sob condições escolhidas por ele, permitindo assim, que seu trabalho possa ser copiado, distribuído, exibido e executado. Desta maneira, o Copyleft se torna uma ferramenta de difusão/propagação/disseminação controlada de uma obra, aonde os aderentes se tornam “cúmplices políticos” deste pensamento.

            Podemos refletir que quanto maior for o alcance da obra, conseqüentemente, maior número de pessoas serão afetadas por ela, tanto para apoiar e usar como referência ou citação, ou também para questionar o meu posicionamento (da obra). Por exemplo, eu assinando minha obra em Copyleft, eu permito que outros artistas/autores possam se utilizar do meu olhar/recorte para gerar o seu. Assim, sendo a difusão algo fundamental para a construção de estéticas artísticas.

Nirvana Marinho, em seu artigo “Autoria: qual é a da dança?” questiona a partir do pensamento Copyleft, a ligação de autoria com autenticidade, originalidade, poder, posse e detenção de idéias.

“Um jeito de pensar e fazer cultura que, nas artes, ganha cada vez mais eco. Vale se informar e refletir: sua obra é right ou left?”

Neste sentido, podemos perceber uma abertura para ser interrogado o que está sendo produzido hoje em dança, ou em qualquer outra linguagem, bem como o porque. E revelando um olhar mais amplo e relacionado com fundamentos políticos, sociais e culturais que uma obra artística pode potencializar.

E desta forma, acreditamos que o sistema Copyleft é questionador, que se utiliza não da individualidade de idéias, mas busca compartilhar uma atualização e, portanto, constrói o conhecimento em conjunto a partir de obras conjugadas, sendo contemporâneo, político, estético e cultural. Um meio para a videodança infiltrar-se em diversos lugares, explodir fronteiras e conquistar um maior público.

 

Anexo 1. Videoadança Brasil (Vid.BR) - Mapeamento de produções de videodanças no território brasileiro.

 

Este são pequenos apontamentos do inicio de uma Mapeamento da Dança que vem sendo Produzida no Brasil. Um pais que Com seus 8.511.965 km2  de extensão, 26 estados e muitas diferenças econômicas.

 

·         Norte e centro –oeste:

 

            Na região que se encontra a capital do país , existe uma escassa produção, tendo em vista que no ano de 2006, dentro do Festival Nova Dança, foi lançado o primeiro edital de produção de videodanca que não passou de sua primeira edição apesar de contemplar três produções, ‘’Várzea’’ (SP), com concepção de Ricardo Iazzeta e Estúdio Bijari e direção de movimento de Ricardo Iazzeta; ‘’Em Outro Pé’’ (SP), com direção de Kiko Ribeiro e Dafne Michellepis; e ‘’De água nem tão doce assim’’ com direção de Shirley Farias e coreografia de Laura Virgínia. 

As produções existentes são de artistas independentes como a de Christiane Frauzino, Eliane Carneiro e Laura Vírginia.

No Amazonas e Belém começam a surgir produções, o Dança em Foco- Festival Internacional de  Vídeo & Dança, nas últimas edições (2008 e 2009) partiu para uma incursão pelo pais que abrangia estes estados. Fomentando a difusão não só através das mostras de vídeos como de oficinas que o festival oferece que é de imensa contribuição para a produção e reflexão da linguagem.

 

·         Nordeste:

 

A Universidade Federal da Bahia te o Curso de dança mais antigo do país  em Salvador um centro de estudos e pesquisa da dança em suas várias vertentes e tecnologia de grande importância nacional. Onde Profa. Dra. Ivani Santana, coordena o Mapad2 uma plataforma virtual, um lugar de troca entre artistas e pesquisadores da dança e da Performance com mediação tecnológica (http://www.mapad2.ufba.br).

 

Em Pernambuco existe uma tradição em produção do audiovisual e artes plásticas ligada à videoarte. A Fundação do Patrimônio Histórico e Artístico de Pernambuco, abre editais para fomentar a produção do audiovisual. A produção da videodança está relacionada a produtores de audiovisual que se interessam pela dança e convidam a fazer produções, há também dançarinos que se interessam na interface dança e tecnologia como Helder Vasconcelos, que inicialmente começou seu envolvimento com música e dança popular do Cavalo Marinho.

 

A Associação Vídeo Brasil, que tem como curadora Solange Farkas e é dirigida por Ana Pato, é responsável pela difusão da produção do videoarte  em todo o país  com o programa Itinerâncias Videobrasil, Encontros SESC Videobrasil e o Festival Internacional de Arte Eletrônica. A organização  vem contribuindo com a difusão, pesquisa e fomento da produção. Tem se mostrado uma importante organização para com vinculo com a America Latina.

 

·         Sudeste:

 

Na região aonde se encontra a maior renda do Brasil, está concentrada a maior parte da produção de videodança nacional.  Podemos salientar que no Rio de Janeiro e em São Paulo se encontra a maior rede de televisão do país e a produção do cinema é crescente, assim como produtoras independentes, como o exemplo da MTV Brasil, em são Paulo.

 

Em São Paulo, a lei de Fomento à dança contribui para que algumas companhias interessadas na pesquisa com o vídeo, seja em cena ou na produção de videodanças tenham recursos para produzi-los. Exemplo é a Cia. Vitrola Quântica e Núcleo Artérias. Contudo, muitos dançarinos se associam a videoartistas para suas produções, como exemplo, Kika Nicollela, que já produziu vídeos com Letícia Sekito e Lucina Gandolfo,  seu interesse é sobre tudo sobre a experimentação que a linguagem oferece ao videortista . Outro Exemplo é André Martinez, que produz seus vídeos com ferramentas consideradas de baixa tecnologia, como uma câmera shot e edita no movie maker.

 

No Rio de Janeiro a produção é forte, sobretudo onde encontramos uma tradição na dança; a primeira Escola de Bailados começou no Rio e onde há o maior número de escolas e faculdades na área. As companhias resistem a uma crise financeira que persiste, porém há um movimento de discussão e pesquisa entorno da dança contemporânea que fortalece a classe. A Faculdade Angel Vianna, dirigida pela Profa. Dra Angel Vianna, implantou na pós- Graduação o curso Estética do Movimento: Dança, Videodança e Multimídias coordenado por Paulo Caldas, um dos criadores do Dança em Foco- festival internacional  de vídeo & dança,  com sede no Rio de janeiro.

 

            Em Minas Gerais, a produção de artes plásticas é que vai influenciar a produção da videodança. Como exemplo, o artista plástico Marcelo Kraiser, que começa trabalhar com as companhias e bailarinos independentes de Belo Horizonte: Paola Rettore, Dudude Herrmann, Izabel Stewart, Rodrigo Quik e Cia Quik. Algumas companhias Independentes também Começam a produzir: Hibridus, Coletivo Molin TL, Flux Cia. De Dança.

 

·         Sul:

 

Christiane Wosniak  publicou ‘’Dança, Cine-dança, Vídeo-dança, Ciber-dança.’’ sua  tese de Doutorado  na Universidade do Paraná, uma das únicas publicações ate agora saídas do meio acadêmico.

Sarah ferreira e Elisa S, Bailarina formando-se pela Universidade de Santa Catarina tem mantido uma produção artística independente em Florianópolis (SC).

Diego Mac tem sua produção vídeo liga a experimentações como ‘’Pas de Corn ’’ uma videodança onde os bailarinos são pipocas.

 

Bibliografia:

Made in Brasil: Três décadas do vídeo brasileiro org. Arlindo Machado.

 São Paulo, Iluminuras, Itaú Cultural, Ministério da Cultura, 2007.

 

Festival Internacional de Arte Eletrônica Videobrasil (2005, São Paulo, SP). 

 Catalogo / coord. Solange Oliveira Farkas. São Paulo, Associação Cultural Videobrasil, 2005.

 

Goldberg, RoseLee. A arte da performance: do futurismo ao presente / RoseLee Goldberg; trad. Jefferson Luiz Camargo. São Paulo, Martins Fontes, 2006.

 

Banes, Sally. Greenwich village 1963: avant-garde, performance e o corpo efervescente. Rio de Janeiro, Rocco, 1999.

 

Dança em foco, volume um: Dança e Tecnologia

 

Dança em foco, volume dois:  Videodança

 

Santana, Ivani, Dança na Cultura Digital, Salvador:EDUFBA, 2006.

 

Nota-Ana: uma notacao-trajetoria dos movimentos do corpo humano. São Paulo, Annablume , Fapesp, 2000.

 

Cartografia - Rumos Itaú Cultural Dança 2006/ 2008.

 

Corpo - Itaú cultural. Catalogo da Exposição.

 

Quinto festival internacional de Vídeodanza Buenos Aires 1999. Catalogo do Festival.

 

‘’Dance Screen Câmera Choreography’’ Revista- Aktuell Ballet Tanz International de junho de 1999.

 

Wosniak,Cristiane. ‘’ Dança, cine-dança, vídeo-dança,ciber-dança …’’  Tese de Doutorado Universidade do Paraná. 2008

 

Sites:

http://www.youtube.com
http://www.itaucultural.org.br
www.dancaemfoco.com.br

http://www.culturaemercado.com.br
http://www.overmundo.com.br
http://www.videodanzaba.com.ar
http://www.dancecom.com.br

http://www.dancarecife.net
http://www.merce.org/
http://videarte.wordpress.com/video-arte
http://www.sescsp.org.br/sesc/videobrasil/site/home/home.asp
http://www.cibercultura.org.br/tikiwiki/tiki-index
http://www.poeticatecnologica.ufba.br/
http://www.corpoaberto.art.br/equipe.htm
http://sotao73.blogspot.com/
http://www.fabricademovimentos.pt/abertura.html
http://www.perrorabioso.com/
http://videodanzaforolatinoamericano.blogspot.com/ (http://www.dospesos.org/videodanza/category/chile/
http://movetheframe.wordpress.com/umove-festival/ http://www.dancasemsombra.blogspot.com/
http://www.mapad2.ufba.br



[1] Tamara Cubas, Trecho de entrevista onde  a pesquisadora dialoga sobre a videodança com uma câmera na mão.

 

[2] Machado , Alindo (org). Made in Brasil: Três décadas do vídeo brasileiro , Ed. Iluminuras:Itaú Cultural,  SP 2007

[3] Alonso, Rodrigo .Videoarte e Videodança  em uma (in)certa America Latina,  Revista Dança em foco Videodança,RJ 2007

Registro de Dança, Documentário de dança, Videodança e o que a dança permite em um acervo.

Arquivado em: Artigos — admin @ 17:21

Record Dance, Dance Documentary, Videodance and that the dance permit in Collection.

 

Rita Tatiana Cavassana

Acervo Mariposa

rita@acervomairosa.com.br

Resumo:

O Acervo Mariposa ocupa atualmente um lugar de reflexão da prática de gestão cultural no Brasil, uma vez que nasceu da preocupação de como nos apropriamos da história da dança através dos vídeos registros ou vídeosdança, ou mesmo documentários, entrevistas e toda matéria em imagem de dança que permita rastrear sua própria identidade ao longo do tempo. Como isso se dá, como isso pode ser acessado, autorizado e difundido entre estudantes, pesquisadores e artistas vem sendo a principal tônica do projeto cultural, sem finalidade lucrativa que foi criado em 2006 e teve em 2008 patrocínio via lei Rouanet para seu primeiro ano de execução. Diante disso, a apresentação do Acervo Mariposa traz um debate atual acerca de vídeos de dança e sua função na fruição, aprendizado e debate cultural no qual a dança ocupa sua função social. Como um acervo sai da parede, como ações culturais interligam público e obra, como a linguagem e os artistas se refazem a partir da difusão ampla de rastros de seu trabalho são tópicos explorados em nossa prática e aqui expostos para o encontro científico.

 

Palavras chaves: acervo de dança, vídeo, ação cultural

 

The Mariposa Collection currently holds a place of reflection of the practice of cultural management in Brazil, as was the concern of how we take the history of dance through dance  of records or vídeosdança or even documentaries, interviews and all matter in the image of dance it possible to trace their own identity over time. How does it do, how it can be accessed, authorized and widespread among students, researchers and artists has been the most important elements of the cultural project, non-profit that was created in 2006, and was sponsored in 2008 by Lei Rouanet for its first year of implementation. In this light, the presentation of the Mariposa Collection brings a current discuss about videos of dance and its role in the enjoyment, learning and cultural discuss in which the dance takes its social function. As a collection out of the wall, and cultural activities and interconnected public works, such as language and artists to remake from the widespread diffusion of traces of their work are topics explored in our practice .

Key words: collection of dance, video, cultural action

 



1.Da apropriação da dança através dos vídeos  de registros.

 

Como guardar e preservar algo efêmero, um acontecimento para poucas pessoas e que dura minutos, segundos ou centésimos, como a arte? Certamente um registro não vai tomar o lugar da experiência do momento. No caso da dança as afetividades contidas nos movimentos que o dançarino deixou rastro em cima do palco terão outros sentidos. O que o documento de audiovisual pode fazer é, abrir uma cicatriz no tempo entre o passado e o futuro, suspender o presente tentando reavivar aquilo já ocorrido.

Como podemos então nos utilizar e preservar de forma viva a dança? Encontrada hoje nas mídias DVD, que daqui a pouco serão substituídas por um outro aparato digital. Ou até na internet onde já podemos encontrar muitos documentos históricos.

Neste mundo provisório, como fala Christine Greiner em seu artigo ’’O registro da dança como o pensamento que dança’’ buscar estabilidade em algo efêmero e recolher do documento algo que possa aproximar o que é a dança, é uma tarefa que vai contra a corrente. Mas como podemos estudar e aproximar mais o público da dança, nestes dias de editais de circulação tão escassos, com a imensidão territorial que temos sem este recurso do registro e de mídias digitais?

Formar um público e instruir a partir do registro em vídeo é um tanto desafiador. Sendo que cada um tem um olhar sobre o mundo, e o que você vê no registro já não é a dança, mas rastros do que já foi. Os cuidados que se deve tomar deverão ser redobrados, para ao invés de aproximar não distanciar o público da obra e da linguagem. Não basta só o documento estar na prateleira mas, informar sobre a obra, o artista e tudo o que envolve o processo se torna necessário, um registro em vídeo é um produto histórico não a peça em si.  Para a arte feita ao vivo que não é pensada para câmera, (diferente da videodança ou cinedança) a troca se faz necessária, mesmo que por intermédio de outro profissional, seja ele teórico, professor ou curador se faz essencial, para que aconteça uma troca. Sobre o processo há algo pro trás que não é revelado, que só no momento do encontro do palco se faz visível e o registro no vídeo não capta.

A qualidade do registro e os cuidados com o documento fazem a diferença para que ele ganhe vida e a obra possa ser reproduzida com um pouco mais de fidelidade. Mas não basta só isso, o como você exibe e o quanto contaminado de informação está o olhar de quem assiste. Um exemplo: Quando entrei na faculdade em uma aula de teoria do primeiro ano, assisti o registro de ‘’ Formas breves ‘’ de Lia Rodrigues. Depois de um tempo vi a obra ao vivo no espaço SESC em Copacabana. Não tinha feito ligação com o que tinha assistido com o vídeo. Eu havia esquecido completamente do registro em vídeo. Anos depois em meu último ano da faculdade escolhi falar da coreógrafa Lia Rodrigues em um trabalho e o que volto a ver? Sim o mesmo registro de ‘’ Formas Breves’’, e me lembrei que já tinha visto o registro, pois identifiquei a imagem do vídeo pela luz, depois de um tempo lembro que havia assistido ao vivo! Sim que falta de memória! Mas rever me fez identificar imagens que demoraram a ficar claras e como outro olhar, ali já estava um outro ser que resgatou imagens que estavam dormindo. Mas as experiências podem modificar o meu olhar sobre as ‘’coisas’’, tudo esta em transformação, mesmo aquele registro na prateleira.

Se há algum tempo o vídeo de registro era usado para o bailarino estudar os passos e as coreografias de balé, hoje é um instrumento de trabalho importante para que os bailarinos, coreógrafos e pesquisadores se utilizem deste documento para refletir sobre o que a dança conquistou e que pensamento ela vem a construir.

 

2.Como isso se dá, como isso pode ser acessado, autorizado e difundido.

 

‘’Os museus surgem para preservar e cultuar a obra de arte’’                         (Teixeira,1989, pg37) . No museu a obra esta para ser admirada, sem poder ser questionada, sem tirá-la de sua ‘’casa de vidro’’, ela a principio se torna sublime e imponente. A arte produzida por e para os deuses, aos poucos vai se tornando humanizada, a sociedade adquire a possibilidade de compartilhar e refletir sobre a obra a partir de seu repertório e visão de mundo. Hoje, estes espaços de preservação têm como tarefa manter ações culturais e educativas para que o conhecimento torne-se algo acessível.

‘’O que um acervo em dança pode promover a respeito de informações?
A existência física de um acervo é o suficiente para manter vivo um material?
É possível transformar informações armazenadas em conhecimento?
Se já não podemos mais olhar para a memória como simplesmente um conjunto de gavetas onde são guardadas informações, acumulando o conhecimento, algo nos diz que um acervo em dança também não pode ser só isso. Optamos então, por ao invés de acúmulo, uma rede de conexão; ao invés de informações somadas, contato umas com as outras, ganhando novas possibilidades de existência. Fazer da história um objeto presente. Construir um patrimônio coletivo e compartilhado.’’[1]

         O Acervo Mariposa é uma videoteca especializada em dança, sem finalidade lucrativa, que gerencia o acesso gratuito de vídeos digitalizados de dança para o público em geral, localizado na cidade de São Paulo, Brasil. Hoje residente nas Casa das Caldeiras onde faz parte de um projeto de residência artística. 

Partindo da premissa de que dança é produção de conhecimento e que um vídeo de dança pode gerar conhecimento, uma pergunta nos perseguia: Como disponibilizar o trabalho ao ‘’mercado de arte’’ e criar este espaço de troca em lugares que não tem acesso ao ‘’mercado’’? Sendo a obra constituída de dois valores, o econômico e o patrimonial. Como possibilitar o acesso a vídeos de dança para um maior número de pessoas e permitir que o mesmo chegue a muitos lugares?

Hoje o compartilhamento de informações (filmes, vídeos, música, livros etc) na rede mundial de computadores foge do controle dos artistas, produtores e detentores dos direitos autorais. Utilizando o copyright a obra é propriedade de valor econômico e artístico gerenciado por uma ‘’pessoa’’, que passa a ter todos o direitos sobre a obra, assim alguém sempre perde o poder de escolher como o mercado vai receber sua obra. Passando por questões econômicas e sociais, a sua circulação e difusão se torna algo difícil de administrar, dando espaço maior à pirataria.

Sendo o copyright uma ferramenta de direitos autorais, muito questionada principalmente pela internet. Qual seria a alternativa de um acervo sem finalidades lucrativas e com objetivo de difundir o conhecimento produzido pela dança, para retirar das prateleiras e circular com o conjunto de obras que nele existe?

 A alternativa que tivemos foi: Copyleft.

O Acervo decidiu então disponibilizar o material dentro da licença Creative Commons, que é uma ferramenta internacional de licenciamento de direitos autorais, onde o próprio autor decide como sua obra pode ser utilizada por terceiros e escolhe quais licenças melhor se adaptam ao seu trabalho, sendo que em todas elas, a propriedade intelectual do autor (autoria) é sempre preservada. “Ao invés de todos os direitos reservados, alguns direitos reservados”.

O Sistema de gerenciamentos de direito autoral do Creative Commons permite criar redes de trocas de informação, seja em um banco de dados interno de acervos ou compartilhamento de informação virtual entre artista e público. Os direitos autorais sobre a obra serão escolhidos pelos criadores a partir do momento em que ele adere a um tipo de selagem. Em quais mídias será vinculada, que tipo de comercialização, estará em suas mão decidir o futuro de sua obra.

O artista está conectado não só com seu trabalho e com o ‘’mercado’’, sabe como e onde quer que sua obra circule, e também abre espaços públicos como  instituições privadas para seu trabalho. É consciente de que seu trabalho junto ao ‘’mercado’’ é formador de público e conhecimento. O vídeo dentro do Acervo Mariposa, uma vez doado pelo artista e assinado o termo de autorização (Copyleft), que tem como escolha as licenças: atribuição da autoria protegendo os direitos autorais, uso não comercial, podemos executar a obra mas sem finalidade comerciais, Vedada a Criação de obras derivadas. Esta escolha faz com que o uso e acesso à videoteca se torne dinâmico. 

 

 

3. Como o Acervo Mariposa articula seu vôo.

 

O Acervo Mariposa não apenas preserva em sua prateleira as obras, como procura também movimentar discussões e pensamentos ao redor da dança, através de ações culturais e educativas fomentando discussões e formando um olhar para dança.

Tem como atividades parcerias com festivais (Mafs), levando uma pequena parte do acervo para dentro dos festivais, com exibições de vídeos e discussões, sendo uma maneira de aproximar os artista e recolher vídeos para o catalogo. O Sobredança que consiste em parcerias com faculdades e escolas para utilização do material previamente agendado, de acordo com as necessidades das aulas. É possível estender esta parceria para faculdades em todo o país.

É um propositor de novos olhares sobre a produção de dança no país, à medida que, não só difunde mas, propõe questões para artistas que participam de seus eventos (VHS - Vídeo Homo Sapiens), fomentando um espaço de trocas, onde produzimos exposições reunindo vídeos, debates, exibições, instalações. Os eventos são gratuitos e abertos ao público. Neste um ano de projeto o Acervo realizou ao todo 10 VHS e pôde atingir do público infantil (realizando o Mini VHS) ao público especializado, ao discutir sobre um novo olhar para a produção de vídeo e corpo, discussão apontada pelo VHS vídeo oque?. Neste eventos podemos descobrir mais sobre o funcionamento e sobre como os vídeos se tornam ferramentas importantes para refletir o conhecimento produzido pela dança.

Gostaria de destacar outra Atividade: a Mostra Lanterninha de Videodança parceria do Acervo com a Galeria Olido, que está em sua segunda edição e é realizada em um cinema antigo de 236 lugares.  Tem como foco a formação de público e abrir espaço para a produção de videodança nacional que cresce a cada dia e ainda conta com poucos lugares de exibição. 

Por ultimo, a pesquisa Vid.BR. (Videodança.Brasil) que pretende mapear quem produz videodança no Brasil, além de fomentar a discussão entorno do vídeo e da dança. Tem um caráter independente e por estar dentro de um acervo pode contar com parcerias de festivais e artistas.  Com estas parcerias como: Festival internacional de videodança do Recife-Play Rec e o Núcleo de dança e o cine Olido para além de fomentar a discussão, esta em campo junto discussões e pesquisadores e artista acompanhando a produção e o crescimento da linguagem de perto.

Um conjunto de ações que torna o acervo dinâmico e propositor para o artista e público. Formando e refletindo sobre o olhar de quem faz e é espectador da dança, construindo redes de informações com outras instituições, com os artistas e até mesmo outras linguagens.

 

 

 

 

 

Referências Bibliográficas:

Antonelli, Bruna e Dias, Cuca. Sobre memórias e obsessões. Revista Danza Cuerpo e Obsesión, México, No. 12. junho de 2009.

Coelho, Teixeira. O que é Ação Cultural. São Paulo: Editora Brasiliense, 2008. Coleção Primeiro Passos.

Greiner, Christine ‘’ O registro da dança como pensamento que dança’’. Revista D’ART No.  Especial Novembro de 2002.

Joost Smiers e Maríeke van Schijndel. Imagine o mundo sem Copyright. http://www.culturaemercado.com.br/2007/09/25/imagine-um-mundo-sem-copyright/ 6 abril 2006; consultado em 2 de outubro de 2009.

http://www.creativecommons.org.br/, consultado em 13 de Outubro de 2009.



 

 

Rita Tatiana Cavassana é atriz e bailarina. Atualmente é Gestora Cultural do Acervo Mariposa, onde realiza a pesquisa Vid.BR. Graduou-se em Comunicação em Artes do Corpo -PUC-SP 2007. Sua pesquisa artística  baseia-se na relação da Dança e outras linguagens como o Vídeo e a Performance. É integrante do Coletivo in Trânsitto, onde pesquisa intervenção Urbana e Performance


[1] Antonelli, Bruna e Dias, Cuca. Sobre memórias e obsessões. Revista Danza Cuerpo e Obsesión, México, No. 12. junho de 2009.

 

Videodança : Território de Resistência

Arquivado em: Artigos — admin @ 17:06

Videodança, linguagem híbrida sim! Menos importa sua definição, mais importa é ser possível expressar a dança em contato com a linguagem do vídeo e, a partir disso, poder estar em muitos lugares: em um site na internet, em um festival de dança, em uma galeria de arte ou em um cinema antigo no centro de São Paulo. Uma parte do  trabalho do artista está em um pequeno disco, que pode viajar o mundo com uma poética especifica da dança para o vídeo. Esta mistura vem fortalecer a dança, criando espaços para explodir as questões inerentes da dança contemporânea.

 

A pesquisa Vid.BR é um mapeamento da produção artística da linguagem no país, realizada pelo Acervo Mariposa, de metodologia aberta segundo o que nos diziam os artistas entrevistados e mapeados. Essa iniciativa assim configurada mostrou-nos as infinitas formas, a partir do vídeo,  com as quais a dança pode se infiltrar. A exemplo, a Mostra Lanterninha, parceria do Acervo com a Galeria Olido, que está em sua segunda edição e é realizada em um cinema antigo de 236 lugares. A pesquisa Vid.br alimenta a mostra,  abre espaço para a produção nacional e busca formar um público para a linguagem.

 

           A busca da experimentação com o vídeo, herança da videoarte, está presente na videodança produzida no Brasil. Este caráter, de alguma forma, tem relação com a escassez de recursos para a realização das produções. Tal escassez, nos força a buscar novos olhares sobre o corpo diante do material que temos em mãos, lembrando de nossa história no cinema, que durante muitos anos não recebeu  nenhum incentivo para a produção e contava apenas com ‘’uma idéia na cabeça e uma câmera na mão’’ . Podemos dizer que a videodança  tem uma câmera na mão e o corpo em questão.

 

O vídeo na América Latina tem uma característica  ligada a um discurso político. O enfoque da videodança no Brasil está nos corpos em estado de urgência, nas metrópoles em crescimento e no caos desenfreado, em  paisagens áridas ou em ambientes íntimos. Diferente de algumas das videodanças ou cine danças americanos e europeus, onde o corpo é apolíneo, na América Latina, de maneira geral, o vídeo tem este caráter provocativo e político, como aponta  Rodrigo Alonso*.

Qualitativamente, ainda há poucos coreógrafos dedicados a linguagem da videodança. Porém uma nova geração ascendente se faz representar. Alguns nomes: Alex Soares(SP), O12(SP), Cia. Vitrola Quântica (SP), Carolina Cony(RJ), Celina Portella e Elisa Pessoa (RJ), Coletivo Molin TL. (MG), Cia. Flux (MG), Pedro Bastos (MG), Diego Mac (RS), Elisa Schmit (SC), Andréia Bardawil (CE), entre outros; vêm desenvolvendo uma pesquisa  junto a seus trabalhos artísticos, nas quais o vídeo faz parte de um pensamento coreográfico.

           Hoje, a formação do bailarino que deseja se infiltrar nesta linguagem, passa  muitas vezes por um curso de multimídias, visto a necessidade de buscar em outro nicho, a informação para a produção de seus trabalhos. Ou ainda, muitos bailarinos têm se associado a um videoartista, que ao meu ver estão sendo responsáveis pelo grande desenvolvimento da videodança no Brasil. Muitos estão interessados nesta troca entre vídeo e dança e esse hibridismo tem dado bons frutos, a exemplo de: Alexandre Veras (CE), Breno César (PE), Oscar Malta (PE),André Martinez (SP), Kika Nicolela (SP), Rodrigo Gontijo (SP), Tatiana Gentille (RJ).

       Há pouco tempo, novos lugares de formação nesta linguagem se estabelecem, como o caso da pós-graduação em Estética do Movimento: Dança, Videodança e Multimídias na Faculdade Angel Viana (RJ), sob coordenação de Paulo Caldas. Ou, também o Grupo de Pesquisa: Poéticas Tecnológicas  coordenado por Ivani Santana (BA), que desenvolve o Mapa D2 (http://www.mapad2.ufba.br). A produção acadêmica também vem crescendo e muitos jovens dançarinos, já na graduação, têm se interessado em discutir a pedagogia em dança através da videodança. Dois exemplos que estão localizados nos extremos do país são Ana PI, orientada pelo Prof. Sérgio Pereira Andrade, Co-orientada: Profa. Dra. Clélia Ferraz Pereira de Queiroz, UFBA e Sarah Ferreira, da UDESC orientada pelo Prof. Milton de Andrade.

 

           Vid.BR  já caminha para o segundo ano de pesquisa e o Acervo Mariposa pretende continuar mapeando os  artistas. Nesta segunda fase, a pesquisa vai se dedicar a localizar também os Festivais e eventos que incorporam ou falam sobre o vídeo e a dança, tal como o precursor Dança em Foco, que após quatro anos de intensa atividade, viaja para quase todas as regiões do país exibindo a produção nacional. Outros festivais como o Play REC - Festival Internacional de Videodança de Recife e a Bienal de Dança de Fortaleza, que em sua última edição abriu espaço para a exibição de videodanças, formam não só público, mas também os artistas que buscam aprimorar seu conhecimento nesta linguagem.

Estes breves apontamentos vêm, hoje, confirmar o que há dois anos  o artigo de Liana Gesteira - “Videodança: Território Fértil”** - apontava sobre a linguagem. Passados poucos anos, a videodança continua sendo um território de resistência, não só para dança, mas uma resistência da arte que precisa buscar melhores políticas públicas no país. Ainda que existam poucos editais (o único em vista é mesmo o Rumos Videodança do Instituto Itaú Cultural) e que tenhamos pouco espaço de exibição para a grande demanda de nossa produção, o trabalho vem sendo produzir resistindo, resistir produzindo. Pois, tudo indica, olhares podem se voltar para a dança criada nesta mídia.

 

 

 

Por: Rita Tatiana Cavassana – Responsável pela pesquisa Vid.br e Gestora Cultural do  Acervo Mariposa.  Bacharel em Comunicação das Artes do Corpo- PUC-SP

 

 

 

 

** Gesteira, Liana ’’Videodança:  Território Fértil ‘’ – http://idanca.net/lang/pt-br/2007/08/27/videodanca-territorio-fertil/4818/  , de 27/08/2007.

* Alonso, Rodrigo ’’Videoarte e Videodanca em uma (in)Certa America Latina’’-Revista Dança em Foco- Videodança 2007.

 

Tanzkongress 2009 – 5 a 8 de Novembro de 2009

Arquivado em: Diário de Bordo — admin @ 16:59

Hamburgo, Alemanha.

www.tanzkongress.de

“No step without movement!”

O primeiro Tanzkongress (Congresso de Dança) na Alemanha aconteceu em Berlim em 2006 e atraiu cerca de 2000 visitantes. Tal iniciativa foi imprescindível para dançarinos, coreógrafos e programadores trocarem experiências e desenvolverem novas idéias para a dança, tornando-se o estopim para o Tanzplan Deutschland, (Plano de Dança da Alemanha) um dos mais ambiciosos projetos na área, desenvolvido em âmbito nacional pela Fundação Federal de Cultura da Alemanha.

Iniciado em 2007, com um fundo de 12 milhões de Euros, o Tanzplan Deutschland fez com que diversas iniciativas explodissem por todo o País; como centros de criação, festivais e residências, refletindo nas áreas de formação, pesquisa e memória da dança.

Com o segundo Tanzkongress, agora realizado em Hamburgo e com o fim do Tanzplan em 2010, é tempo de refletir e expandir as discussões acerca da sustentabilidade e posterior desenvolvimento dos projetos e processos iniciados.

Organizado pela Fundação Federal de Cultura da Alemanha em cooperação com Kampnagel Hamburgo, K3 – Centro para Coreografia/ Tanzplan Hamburgo e o Centro para Estudos da Performance da Universidade de Hamburgo, o Tanzkongress 2009 tem como tema a frase em inglês: “No step without movement!” e é dividido em quatro constelações temáticas:

Dança e Política – A potência e capacidade política da dança como forma de arte.

Criação e Reflexão – Debates acerca de estéticas, metodologias e modos coreográficos.

(Hi)stórias da Dança – Como arquivar essa fugaz forma de arte.

Cursos de vida – Diversos estágios de uma carreia em dança.

Além do Programa de Dança com espetáculos de: Les Ballets C de la B/Alain Platel, Jerôme Bel, Monica Antezana, Richard Segal/The Bakery, Fabian Barba, Good work Productions, Hamburg Ballet, Ligna. 

Assim, partindo da frase que deu início ao projeto: “Critical moves. Steps we must take” do sociólogo americano Randy Martin, o Tanzkongress 2009 oferece uma variedade de Palestras que dão impulso a um científico e artístico ponto de vista, discussões públicas que podem ser seguidas nos Salons, Laboratórios que convidam aos participantes contribuírem com seus conhecimentos e juntos trabalharem em tópicos específicos, enquanto que diferentes métodos e técnicas podem ser testados em Masterclasses, Toolboxes e Workshops.

Viel Spass! (Bom divertimento!)

(continua…) ver mais em http://www.culturaemercado.com.br/ideias/sim-a-corpos-derivados/

por Bruna Antonelli

 

18 de novembro de 2009

Lançamento do blog Imanências nessa quinta-feira (19/11)

Arquivado em: Blog — admin @ 18:01

Olá pessoas,
Nessa quinta-feira (amanhã!!) a Sala Crisantempo vai receber o lançamento do blog Imanências - contraste de uma realidade externa, da artista Isabela Santana. O blog será uma maneira de abertura e compartilhamento do processo de criação (já em andamento) do seu solo, contemplado pelo prêmio Funarte de Dança Klauss Vianna/2008. Seu trabalho tem referências das artes plásticas e da performance e será apresentado logo mais (fins desse ano ou começo do ano que vem), enquanto isso, poderemos acompanhar a criação pelo blog e pela intervenção que Isabela vai fazer no evento de amanhã!!!
O evento que começa ás 21h, vai contar também com exibição de videos do Acervo!!!
Esperamos todos para prestigiar!!!

13 de novembro de 2009

Sobre memórias e obsessões

Arquivado em: Artigos — admin @ 14:31

Saudações leitores,

Esse artigo foi escrito para a revista DCO (México) Danza, Cuérpo e Obsesión N° 12 - em junho de 2009. A Revista DCO é uma revista Iberoamericana (México - Espanha- Argentina) de edição independente que tem o objetivo de juntas e estimular de forma multidisciplinar o pensamento sobre a epistemologia da arte coreográfica dentro do universo da lingua espanhola (texto livremente traduzido do site http://indicesdco.blogspot.com/). 

 

Sobre memórias e obsessões

Bruna Antonelli e Cuca Dias*

 

Por que um acervo em dança?

O que um acervo em dança pode promover a respeito de informações?

A existência física de um acervo é o suficiente para manter vivo um material?

É possível transformar informações armazenadas em conhecimento?

Se já não podemos mais olhar para a memória como simplesmente um conjunto de gavetas onde são guardadas informações, acumulando o conhecimento, algo nos diz que um acervo em dança também não pode ser só isso. Optamos então, por ao invés de acúmulo, uma rede de conexão; ao invés de informações somadas, contato umas com as outras, ganhando novas possibilidades de existência. Fazer da história um objeto presente. Construir um patrimônio coletivo e compartilhado. Desejos que perseguimos obsessivamente.

Este artigo divide com o leitor alguns desses desejos e obsessões (influenciado pelo nome da revista, confessamos), a respeito da experiência e das idéias que estamos construindo e que acreditamos para um acervo em dança.

 O Acervo Mariposa é uma videoteca especializada em dança, sem finalidade lucrativa, que gerencia o acesso gratuito de vídeos digitalizados de dança para o público em geral, localizado na cidade de São Paulo, Brasil.

Para o Acervo, a proposta de reunir, arquivar, armazenar vídeos de dança (registro de espetáculo, videodança, documentários, etc), não prevê que o trabalho de um artista fique “engessado” na parede a espera que algum dia, em algum momento, alguém resolva assistir o seu trabalho.

Partindo da premissa de que dança é produção de conhecimento e que um vídeo de dança pode gerar conhecimento, uma pergunta nos perseguia: como possibilitar o acesso a vídeos de dança para um maior número de pessoas e permitir que o mesmo chegue a muitos lugares?

A resposta que tivemos foi: Copyleft.

Decidimos então, disponibilizar nosso material dentro da licença Creative Commons, que é uma ferramenta internacional de licenciamento de direitos autorais, onde o próprio autor decide como sua obra pode ser utilizada por terceiros e escolhe quais licenças melhor se adaptam ao seu trabalho, sendo que em todas elas, a propriedade intelectual do autor (autoria) é sempre preservada.

Ao invés de todos os direitos reservados, alguns direitos reservados”

Sendo assim, um vídeo dentro do Acervo Mariposa, uma vez doado pelo artista e assinado o termo de autorização (Copyleft), encontra em nossas atividades educativas uma forma de circulação e difusão que dinamiza o uso e acesso à videoteca. Ele pode, portanto, ser doado para outros acervos (Parcerias), exibido em Mostras (V.H.S.), fazer parte de festivais (Mariposa nos Festivais) e adentrar as Universidades (Sobredança).

Alguns desejos saciados.

 

E o que isso diz da memória e futuro da dança? 

 

Imersas nesse ambiente e depois de muitas conversas com a equipe que representa o Creative Commons aqui no Brasil, outras reflexões e conseqüentemente outros desejos vieram. Esse pessoal têm nos provocado dizendo que o único modo de tentar tornar a dança um pouco menos elitista e fazer com que ela saia do seu palácio de cristal, é a difusão, e que os vídeos são uma ótima ferramenta para isso.

Um vídeo, de maneira nenhuma, substitui a dança no corpo, o artista ou o acontecimento cênico, a exemplo de bandas que disponibilizam suas músicas na internet e ainda assim seus shows têm casa lotada.

Hoje, novas maneiras de registrar a dança nos mostram novas maneiras de olhar para a dança. O videodança está aí para provar isso! A tecnologia influencia a maneira de ver e fazer dança: muitos coreógrafos a utilizam como registro, como vídeocenografia; quem hoje não tem uma câmera em casa? Para um acervo, a internet pode, inclusive, permitir concatenar informações, estabelecer novas relações. Tais possibilidades tecnológicas sinalizam outra maneira de gerir um acervo em dança e, portanto, outro modo de dinamizar a memória. Tecnologia não está só a serviço da memória da dança, mas sim pode torná-la mais presente. Se nosso objetivo é tornar a dança mais acessível e assistida por um maior número de pessoas, por que não usar e aperfeiçoar um acervo para este fim.

Por exemplo: assisto a um vídeo de dança na internet, juntamente com o vídeo está disponibilizada também sua ficha técnica; descubro o nome do coreógrafo, este nome possui um link para outros trabalhos que ele tenha realizado; que por sua vez me leva para navegar em uma dissertação sobre o trabalho dessa Cia, que possui outro link que me leva ao termo “dança contemporânea” no Wikipédia; para finalizar participo deixando minhas impressões no blog.

Esta é a mais atual obsessão do Acervo Mariposa.

Iluminar o conhecimento em dança é torná-lo acessível; isso é fácil de concordar. Mas, como fazer isso é um desafio que move um projeto como esse. Nosso desejo é que outros projetos com o mesmo movimento tornem-se parceiros, pois memória não se constrói com um corpo só.

 

Para conhecer mais:

www.acervomariposa.com.br

www.creativecommons.org.br

Copyleft em dança: possibilidades de difusão e Dança e Copyleft no palácio de cristal por Nirvana Marinho em: www.culturaemercado.com.br

Referências bibliográficas:

GREINER, Christine. O registro da dança como pensamento que dança. D´Art, São Paulo, v. 04, p. 38-43, 2002.

_________. O corpo – pistas para estudos indisciplinares. Annablume,2005.

KATZ, Helena. Um, dois, três. A dança é o pensamento do corpo. Fid editorial,2005.

 

 

*Bruna Antonelli é gestora cultural do Acervo Mariposa e Cuca Dias é produtora executiva. Este artigo reflete as idéias e obsessões de toda a equipe do Acervo: Nirvana Marinho, coordenadora; Rita Tatiana Cavassana; pesquisadora projeto Vid.Br; Talma Salem, produtora e Juliana Santos, Carol Moya e Ana Risek, estagiárias

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